Foto: Gilberto Ferreira (Bei)
A casa onde Théo viveu os últimos dias de vida, em São Gabrieç
Um homem quieto, tranquilo e de poucas palavras. É assim que o vendedor Tiago Felber, 40 anos, é descrito pelos vizinhos em São Gabriel. Ainda em estado de choque, a comunidade tenta entender os motivos que levaram a tamanha brutalidade do caso registrado na tarde de terça-feira (25) no município.
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Théo, de 5 anos, passou os últimos dias de vida junto do pai em uma casa de madeira na Rua Cachoeira do Sul, no Bairro Cidade Nova. Foi lá que Felber, que trabalhava como vendedor ambulante de alimentos, esganou o filho na noite de segunda-feira (24). No entanto, Théo não morreu e foi reanimado pelo próprio agressor. Ele foi morto na terça, ao ser jogado da ponte. O laudo inicial aponta politraumatismo como causa da morte.
Entre os vizinhos, a convivência de Felber era tranquila. O frentista Márcio Lemos, 47 anos, relembra que o homem era tranquilo e demonstrava uma boa relação com a criança. Ainda na manhã de terça, o vizinho chegava de viagem quando viu Felber sair de bicicleta com a criança, por volta das 10h50min.
— Ele era bem tranquilo, só que não conversava muito, era "quietão". Só dava bom dia e boa tarde, não seguia a conversa além disso – conta.
Segundo Lemos, Felber vendia produtos em uma bicicleta há pelo menos oito meses. Théo, que costumava visitar o pai, também tinha uma convivência tranquila com as crianças do bairro:
— Quando ele estava aqui, a minha "gurizinha" até brincou com ele, queria que ele viesse aqui, mas a gente não conhecia muito, né? — conta o vizinho.
A aposentada Regina Rodrigues, 62 anos, conta o vendedor era muito discreto, e não tinha problemas com nenhum outro morador:
— Eu pouco tinha relação com ele. Às vezes, ele passava pela gente, não dava adeus, era meio "fechadão", e era assim, a gente nunca foi ali. Ele já conversou com meu marido na cerca, mas a gente nunca esperava que ele ia fazer isso aí, né?
No dia do crime, Regina conta que não viu movimentação do vendedor nem da criança na rua. No entanto, ela conta que viu o menino dias antes. Ela lamenta a morte do pequeno:
— Chegamos ver o "gurizinho", até um dia ele trouxe aqui no pátio. Ele era tão bonitinho, que judiaria — diz a aposentada.
A casa onde Felber vivia deve passar por perícia ainda nesta quarta. O vendedor está sob custódia na delegacia de São Gabriel, e segundo o Daniel Severo, responsável pela Delegacia de Polícia do município, será encaminhado ao presídio em breve.
Causa da morte
O resultado preliminar do exame de necropsia no corpo do pequeno Théo Ricardo Ferreira Felber, 5 anos, apontou politraumatismo – em uma breve definição, caracterizado por múltiplas lesões causadas ao corpo. O exame foi realizado nesta quarta-feira (26) pela manhã, no Instituto Médico Legal (IML) peloInstituto Geral de Perícias, em Santa Maria.
Uma funerária de Sapiranga, região metropolitana do Estado, está em deslocamento para buscar o corpo da criança. No entanto, até o momento, não há informações sobre velório, enterro nem a cidade onde Théo será levado.
O caso
O pai confessou que jogou o filho de uma ponte sobre o Rio Vacacaí na tarde de terça, em São Gabriel. O corpo da criança foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros.
De acordo com as informações, o suspeito não aceitava o fim do relacionamento com a ex-esposa e levou o filho até o local, arremessando-o no leito do rio. O caso aconteceu por volta das 13h45min na Ponte Engenheiro Alfredo Bento Pereira, na Avenida Getúlio Vargas, que liga o Bairro Bom Fim à zona urbana da cidade.
O menino de 5 anos morava na cidade de Nova Hartz, no Vale dos Sinos, com a mãe. O homem teria buscado a criança na casa da mãe no último sábado (22). Em entrevista ao programa Fim de Tarde, da Rádio CDN, o delegado Daniel Severo, responsável pela Delegacia de Polícia de São Gabriel, informou que os pais se separaram recentemente.
Tiago Felber é natural de Nova Prata, na região da Serra, mas morador de São Gabriel.
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